Bioimpressão 3D de alimentos: comida do futuro? Nem tanto, uma realidade cada vez mais próxima.

Impossível falar de comida produzida em “laboratório” e não pensar no desenho da família dos Jetsons ou Star Trek. Como o replicador de alimentos em que os personagens pediam o que desejassem para comer e tudo ficava pronto na hora. Parecia uma realidade tão distante, mas acredite, a bioimpressão de alimentos já está em processo avançado de desenvolvimento.

Não estou falando de criar refeições à base de vegetais, que segundo algumas empresas, serão alimentos mais saudáveis, mais baratos e tão saborosos quanto uma comida que leve carne, ovos, leite ou outros produtos de origem animal. Estou falando em produzir alimentos a partir de multiplicação celular e produção de tecidos vegetais ou animais de forma organizada e controlada, com poder nutricional mais elevado do que o seu produto original.

Você já viu as variações de peças esculpidas em plástico que as impressoras 3D estão fazendo. O nível de detalhe é fantástico. Veja alguns exemplos abaixo e a explicação do modo de funcionamento.

Infográfico Felipe Campo

No caso de bioimpressão o veículo utilizado é diferente de um polímero empregado na impressão 3D convencional.

A tecnologia de bioimpressão 3D também está sendo muito estudada para a produção de órgãos e tecidos humanos a partir de bio-tinta baseada em células-tronco de  pacientes, como propõe a empresa Organovo.

  • O que temos hoje

Atualmente o que se tem disponível no mercado de alimentos é a bioimpressão de formatos inusitados e divertidos de biscoitos, doces e massas, além de coberturas de tortas com desenhos personalizados. Ou seja, uma formulação base conhecida dando um design novo a um produto. Geralmente se empregam ingredientes como glacê, queijo, húmus, massas e chocolate.

Veja o vídeo abaixo com exemplos de bioimpressoras que você já pode ter na sua casa e escolha a sua.

 

O processo consiste basicamente na extrusão de um polímero alimentício tornando-o semissólido. Posteriormente esse material é expelido por uma cabeça móvel, solidificando-se quase que imediatamente, unindo-se às camadas anteriores do produto.

Mas ainda não é sobre isso que eu quero mostrar.

  • Onde chegaremos

Lembra-se do post sobre Carne in vitro? aí está um bom exemplo para a bioimpressão da comida do futuro.

A empresa Modern Meadow atualmente trabalha em um projeto de bioimpressão de couro animal a partir da produção in vitro do colágeno. O próximo passo será aplicação de proteínas em estruturas de tecidos animal para produzir carnes na própria impressora, com alto teor protéico, ressalta Andras Forgacs, o CEO da empresa (http://meioinfo.eco.br/impressora-de-carne-3d/).

A impressão de carne em 3D requer técnicas de cultura de células, biomontagem (baseada em métodos de engenharia de tecidos), além da maturação dos tecidos em biorreatores. Simples assim!!!!

A impressão de alimentos em 3D ainda possui muitas limitações. Alguns produtos como o queijo são mais “fáceis” de fabricar do que frutas, vegetais e carnes. Quanto maior a organização da estrutura do tecido, mais complexo será a sua reprodução em laboratório.

No Brasil, a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, sediada em Brasília, já iniciou pesquisas para fabricar folhas, sementes e até mesmo estruturas ainda mais complexas, como de vegetais, animais ou microrganismos no Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO). O pesquisador e líder do projeto, Luciano Paulino da Silva, explica que “Nos métodos tradicionais de cultivo, as células são depositadas em camadas planas (2D) em microplacas de cultura, formando uma camada única para testes de atividade biológica. Pretendemos desenvolver estruturas tridimensionais contendo células, bem como estruturas biológicas que nos permitem imitar as condições que teríamos dentro de uma estrutura tridimensional encontrada em organismos vivos” (https://goo.gl/WhQhn5).

É disso que eu estou falando!

A tecnologia de impressão 3D será fundamental para a forma como as pessoas interagem com os alimentos no futuro. 

 

O tema de bioimpressão de alimentos é tão atual que em junho de 2017 ocorreu a 3ª edição européia da “3D Food Printing Conference” na Holanda.  O evento reuniu mais de 300 participantes e palestrantes, que compartilharam suas experiências e opiniões sobre os últimos desenvolvimentos em impressão de alimentos 3D, agricultura vertical, agricultura inteligente e alimentação saudável. Portanto, estou falando de negócios muitos promissores.

Chegará o tempo que poderemos cantar para a bioimpressora: “Dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles em um pão com gergelim”.

Quais as vantagens desse novo jeito de produzir alimentos?

  • Produção de comida mais personalizada com o perfil do consumidor, inclusive vegetarianos;
  • Redução de gastos com plantação em lavoura e criação de animais;
  • Menor risco de contaminação microbiológica;
  • Menor desperdício de alimentos;
  • E principalmente, maior fonte de produção de alimentos no mundo.

 

Engraçado que apesar de todos os avanços científicos na área de pesquisa e desenvolvimento de alimentos em laboratório, há uma tendência paralela como os grupos  adeptos ao crudivorismo ou alimentação viva. Ou ainda do Food Experience, mais próximo da tradicional comida da vovó, que eu já falei em outro post do blog.

E aí, qual a sua preferência?

Quem viver, verá!!!!

 

 

Tema sugerido e embasado por Alexandre Cabral

Assine o nosso Feed

Publicações semanais

Agradecemos por assinar nosso Feed, você pode desfazer a assinatura quando desejar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *